Domingo, 26 de Maio de 2013
UMA FUGA ESPECTACULAR
Depois da Restauração do Estado Português em 1 de Dezembro de 1640, não foi fácil para os nacionais manterem a sua aspiração à independência do jugo castelhano. Várias são as referências que se encontram nos livros do Arquivo Camarário das dificuldades então sofridas pelo povo português, durante vários anos, até à paz estabelecida entre os dois reinos. Era a criação de impostos -como o imposto de selo e papel selado, as contribuições sobre os géneros de primeira necessidade, o imposto sobre o vinho e as carnes - para contribuir para o esforço de guerra que eram obrigados a sustentar com o antigo dominador. Era a constante invasão do território nacional que obrigava a recrutar homens para combater essas invasões. Era enfim a necessidade de fortificar ou tomar as praças e castelos que ora tinham tomado voz pelo Rei de Portugal, ora aquelas que por estarem sobre o comando de forças estrangeiras, ainda mantinham voz por Castela.
Pelas cartas que estão em livro próprio arquivadas no Arquivo Camarário, sabemos que praças como Viana, Caminha e Monção, entre outras, reclamavam o auxilio dos povos que tinham já sacudido o jugo castelhano. Por elas se toma conhecimento do que foram esses tempos heroicos em que o povo, o clero e a nobreza se uniram no amor da liberdade, do amor pátrio. Por uma dessas missivas tomamos conhecimento de que inimigo não queria abandonar a praça de Monção e sabemos que nessa luta foram presos alguns castelhanos que, possivelmente, por estarem mesmo na raia, foram transferidos, presos, para o Castelo de Braga.
Ora, é desse livro de correspondência recebida (Cartas Particulares)
1699-1702, que vamos transcrever, nos dá conta duma fuga audaciosa e rocambolesca levada a efeito no Castelo de Braga, por volta de 1649.
Vamos então à respectiva transcrição, um pouco longa, mas que tem o seu interesse e, principalmente, por nos vir dizer que mesmo nesses tempos já recuados - há 300 anos - também existia o mal de hoje - o suborno :
"Diz o Procurador da Cidade de Braga que ele há recebido uma certidão do teor do auto que se fez da fugida e rompimento do Castelo, que está em poder do escrivão Inácio Fernandes.
Pede assim mande ao escrivão a dita certidão, em modo que faça fé "
" Satisfazendo ao despacho acima do Senhor Doutor António da Silva Gaio, ouvidor e provedor nessa cidade de Braga e seu termo e geral dos coutos da Santa Sé dela pelos muito reverendos senhores do Cabido, sede vacante primaz, e demais autoridades certifico eu Inácio Fernandes, tabelião público judicial e notas nesta cidade pelo seu termo pelos reverendos senhores do Cabido que é verdade que em meu poder e cartório da devassa que mandou tirar e fazer o doutor ouvidor dos presos que fugiram do Castelo desta cidade do qual ( ? ) treslado é o seguinte
“Ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil seiscentos e quarenta e nove anos, aos vinte e três dias do mês de Maio do dito ano, nesta cidade de Braga, no Castelo dela, aonde foi vindo o doutor António da Silva Gaio, ouvidor e provedor nesta dita cidade e seu termo pelo Reverendo Cabido, etc. Outro sim Diogo Barbosa de Almeida, juiz ordinário nela pelo mesmo Cabido por lhes vir a notícia que fugiram os mais dos presos do dito Castelo que na torre dele estavam e indo o dito juiz diante para o dito Castelo a Matias Mendes Coelho carcereiro dele que ia fugindo e o fora seguindo e o prendera e o trouxera à dita cadeia e logo mandara tanger o sino do dito Castelo para que acudisse à cintura ( ? ) vindo ele doutor e eu tabelião entramos no dito Castelo e logo fomos ver a porta da torre a qual estava fechada e por cima estava um pedaço fora que fora tirado com muitos buracos de trado que foram miudamente dados com que se despergou a dita chave, digo o dito pedaço de porta pregado em uma chapa de ferro da dita porta dobrado para a banda de dentro que cabia a seu grosso ( ? ) por grosso que fosse e logo a porta da banda de dentro que é de grades se achava aberta de modo que não dava lugar a se abrir a porta de fora, por não estar fechada na porta de fora e logo doze barrotes em que a dita porta de dentro fechava essas não despregadas de maneira que afastadas por elas podia muito bem caber um homem.
E logo indo acima ao segundo sobrado se acha um buraco com duas tábuas despregadas que cabia um homem muito a seu grosso e no sobrado, digo em o terceiro sobrado estava tábua levantada e a metade de outra quebrada de modo que por ela cabia qualquer homem e vindo ao terceiro junto ao muro para a banda da Alfandega para a parte onde se vende o sal e estava nessa ao dito muro ao alto uma escada de três tábuas pregadas umas nas outras com dezasseis tornos metidos . . . ( no original está queimada a palavra que segue ) cada furo.
Um pau metido que passava um palmo de parte a parte por onde mostrava subirem os presos que fugiram ao muro e logo em cima do muro estavam quatro lençóis atados uns nos outros e atados em uma ameia por onde desceram pelo dito muro abaixo para a alfandega e logo os presos que estavam na dita torre que . . . cai o capitão galego dom Alonso Antelo preso que estava na gaiola no segundo sobrado e no terceiro sobrado o tenente Dom Francisco de Lanzada galego. E do primeiro sobrado o capitão galego Dom Domingos de la Bargio e o cabo de esquadra Domingos de Rego, presos que estavam por mandado do Governador das armas da praça de Monção e ainda mais fugiram Constantino Caires, natural desta cidade e Francisco Ribeiro, natural de Viana, presos que estavam acorren ( tados ) com grilhões nos pés e nas mãos culpados em a morte de um homem além de outros crimes que tinham . E assim mais Ismael Fernandes, sapateiro, natural desta cidade e Francisco Rodrigues, sapateiro presos por graves crimes e o dito Francisco Rodrigues, era natural desta cidade e assim mais . . . da Graça, desta dita cidade, preso que também estava por crimes e Pedro Gonçalves e Manuel Gonçalves ambos cunhados, naturais da freguesia de São João de Airão do termo da vila de Guimarães e Matias negro escravo que era de Gaspar de Sousa Menezes, preso que estava por crime os quais todos fugiram do dito Castelo."
Atribuía o escrivão do auto e respectivo juiz que só com a ajuda de pessoas estranhas é que se poderia ter dado esta arrojada fuga.mmmmmmmmmmmmmmmm Mais adiante, continuando com a transcrição, se pode ver como chegaram a essa conclusão. Assim :
". . . com ainda o favor que se lhes deu de fora como foi dar-lhes facas, armas e ganchos e tábuas, escadas e todo o mais aparelho que lhes foi necessário e que o carcereiro trazia na dita cadeia homens de quem se faria que fechassem os ditos presos os quais deram ainda ( ajuda ) e fazer-se a dita fuga, consentindo que para a dita cadeia (reunissem ? ) todos os aparelhos para nela fazer porque sem esta se não podia ela fazer porquanto a torre do dito Castelo de onde eles fugiram era muito forte e segura . . ."
Logo, para conseguir dentro da torre prisão tudo o necessário para levar a bom termo a fuga só, afirmam os autores do auto, subornando o pessoal encarregado da vigilância, e isso se depreende pela continuação da leitura da certidão do auto resultante do despacho :
". . . e se entende que os ditos presos peitariam a quem os apanhava com dinheiro, que lhes dariam porquanto os ditos presos galegos eram muito ricos e podiam fazer os mais dos ardis, eram homens muito facinorosos e tinham grandes crimes e era tanto assim que para eles se ela fazer não podia ser sem auxilio de quem os fechara porque entrouse a mais ( ? ) meteu-se muito tempo pelo muito que fizeram e trabalharam.
E logo ele doutor ouvidor e juiz e eu tabelião vimos a dita torre e portas dela e buracos que estavam nos sobrados dela desse fé crer do modo de que dito fica de que ele doutor ouvidor juiz mandaram fazer este auto para por ele se tirar devassa do caso para fazerem cumprimento de nunca declarando que os ditos presos fugiram de noite e nesse dia, digo amanhecendo e fugido como dito fica. E declaro que também à dita Cadeia acudiu Filipe Jácome de Sousa, outrossim juiz ordinário nesta dita cidade que também acedeu ao fazer este auto e com presos que na dita Cadeia fugiram e consta do inventário que se fez e assinaram e eu Inácio Fernandes, tabelião o escrevi - António da Silva Gaio de Sousa Barbosa, o qual vai todo tresladado de verbo ad verbum ao qual em todo e folhado me reporto que fica em meu poder com o qual este consertei por mim tabelião e como fiscal a que comigo assinado e aos trinta e um dias do mês de Maio de mil novecentos e quarenta e nove anos e aqui assino do meu publico sinal que vale. Pague esta certidão com as três meias folhas e demais avença cento e quarenta reis de que recebeu quem a fez a quarta parte com papel trinta e cinco reis. Sobredito Inácio Fernandes, tabelião o fiz escrever e saber e assinei de meu sinal o que se segue e folhei. Inácio Fernandes . Conferido comigo Fernandes - e assinatura ilegível."
Por certo durante a guerra da Restauração o Castelo de Braga deve ter servido, por mais do que uma vez, até que foi assinada a paz entre Portugal e Espanha, para servir de prisão a alguns militares castelhanos, mas por mais que folheasse não encontrei qualquer outra referência a prisões de soldados, nem tampouco me parece ter-se dado nova fuga espectacular como a que transcrevi. O que encontrei, como de resto o disse no princípio, foi o pedido de auxílio, o que nos atesta que Braga deve ter tido papel preponderante na Guerra da Restauração.
Braga, Março de 1995
LUIS COSTA
SÁTIRA DE COSTUMES A FUNÇÃO (FIM) F O N T E D O Í D O L O Monumento antiquíssimo, provavelmente pré-romano, mas romanizado, esta fonte de mergulho, foidedicada por Célio Frontão, a uma divindade aquática - NAVIA ou TONGOENOBIAGO. Está situado por perto do Palácio do Raio, num terreno cuja entrada está vedada por um portão de ferro (mas franqueado ao público, devendo para isso dirigirem-se os interessados à Junta de Freguesia de São Lázaro). Há quem afirme que teria sido um santuário romano mas, outros, atribuem-lhe uma origem mais distante – santuário rupestre. Talhado na rocha, este monumento pode dividir-se em duas partes. Numa espécie de edícula, talvez a parte mais antiga do monumento, quase rente ao solo, vê-se um busto de menino, possivelmente a divindade a que foi dedicado e onde uma inscrição latina é bem legível ; o frontão dessa edícula, frontão triangular, ostenta num dos lados um maço, (instrumento de batimento), enquanto que no outro se destaca uma ave. É por de baixo deste grupo, nesta edícula, que nasce a água que brota de uma fenda na pedra. Ao lado e na parte mais acima encontra-se, lavrado na pedra, um busto bastante danificado, de maiores dimensões que o encerrado na edícula, que lembra o Deus Esculápio, (muito semelhante com o busto de Esculápio, existente no Museu de Beja, segundo alguns autores ou o dedicante, quando da romanização, Célio Frontão, segundo outros. Esta última versão é bastante contestada, visto não ser usual a imagem do dedicante, estar mais destacada do que o da divindade. Ao lado deste busto uma outra inscrição latina que tem dado azo a várias interpretações. Está um pouco truncada na sua palavra final. Foi ela ali inscrita, possivelmente, quando da dedicação do monumento pelos romanos. Parece que houve uma mutilação, pois tudo indica que este relevo faria parte de um grupo, que mostraria outra figura, possivelmente feminina. A que resta e está togada, julga-se ter seguro na mão um cesto ou um ramo de flores. No entanto a dúvida persiste, por esta parte do monumento estar muito danificada. É aqui que se encontra a frase latina acima indicada. Por elementos encontrados aquando das escavações e por uns entalhes que se veem na rocha circundante, presume-se que tenha tido uma cobertura o que leva a concordar com a tese de Santuário. Hubner, arqueólogo alemão do século passado bem como J. Leite de Vasconcelos e outros eminentes sábios estudaram este monumento, famoso em toda a Europa, sem par na Península Ibérica, e que ainda hoje traz a Braga numerosos estudiosos e arqueólogos. Possivelmente seria o centro de uma vasta necrópole, pois à sua roda, tem sido encontradas várias sepulturas romanas (Centro Comercial Santa Cruz, nas escavações do antigo palco do Teatro Circo, onde se encontrou uma ara com referência a um Africano, vários edifícios na Avenida da Liberdade, na Praça da República, junto ao edifício do Turismo -o último achado quando da abertura do túnel-Cangosta da Palha ). O primeiro interessado por esta fonte, foi D. Jerónimo Contador de Argote que no século XVIII, dele deu pela primeira vez conhecimento. Classificado de monumento nacional pelo M.N. Decreto de 16-06-1910, Z.E.P., D.G., 2ª série, n.º 105 de 5-05-1970, não tem este monumento tido a atenção dos responsáveis pela preservação do património, pela sua conservação, limpeza e divulgação. Dado o interesse que despertou em todos os arqueólogos, tanto nacionais como estrangeiros que o visitaram (abre-se aqui um parenteses para dar a conhecer que em 1975, veio propositadamente a Braga uma equipa da T. V. soviética para o filmar, e difundirem por todos os estados da então União Soviética, no dia de Portugal) e também porque estava classificado como Monumento Nacional como acima se diz. Logo apósa classificação as autoridades bracarenses pensaram em proteger tão valioso documento. Assim, podemos ver, pelo Livro de Notas de Escrituras nº 31, em 5/11/1932, folha 210, que se encetaram negociações para a compra dos terrenos que circundavam o tanque. E pelo livro de Actas da Câmara Municipal, de 1931 / 1933, é pela Câmara pedida à Comissão de Estectica, parecer sobre o acautelamento do Monumento. Entretanto o vereador Fernando Vilaça apresenta uma proposta para expropriação amigável da Fonte do Ídolo. A Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais informa a Câmara da conveniência da compra do terreno e de definir a zona de protecção do monumento, ao mesmo tempo que dá a conhecer ficar a seu cargo a conclusão do muro de vedação do terreno, tendo então a Câmara deliberado adquirir à proprietária o terreno circundante pela quantia de mil escudos. Não descorando o assunto os édis propõe a cedência à Direcção Geral dos Monumentos, da Fonte do Ídolo, ao mesmo tempo que é pedida a isenção do pagamento de contribuição de registo por título gratuito, referente a 39 m2 do terreno anexo ao monumento nacional, para melhor acesso, terreno doado por D. Maria Amélia Cristina da Cunha Matos Reis e sua filha. Apresentado um estudo à Direcção Geral, esta comunica satisfazer a modificação da vedação do Tanque, desafrontando assim o monumento. Por sua vez, a Direcção Geral da Fazenda Pública, pela Repartição do Património, informa das medidas tomadas, de acordo com os Monumentos Nacionais acerca do caminho a seguir para a defesa de tão valioso património, solicitando à Câmara que proceda à limpeza e iluminação conveniente do local, e ao assentamento de grades de ferro bem como o encerramento de uma taberna que estava próximo. Chegados a 1952, é apresentada na sessão camarária uma proposta para a preservação do monumento, e para a qual já se tinham recolhidos os elementos necessários. Decorrem mais alguns anos, e em 1962, o vereador do Pelouro de Cultura, Doutor Sérgio Pinto, apresenta uma proposta para ser elaborado um projecto para a defesa da Fonte, de resto proposta que já em tempos tinha apresentado. Na exposição apresentada para justificar a sua proposta dizia, entre outros considerados "...Hoje, porque a fonte a que me quero reportar está de todo necessitada de cuidados sérios, e porque ela, só por si, é objecto de muitas visitas ilustres, e ainda porque dessas visitas não raro resulta humilhação para nós pelo estado de abandono e pouco decoro em que o monumento em apreço de acha" De novo o Doutor Sérgio da Silva Pinto volta à carga em 1964 (era um batalhador inigualável na defesa da sua dama - a Cidade de Braga e a sua Monumentalidade), lamentando que na porta férrea de entrada nada indicasse que ali se encontrava um monumento ímpar na Península Ibérica, mas sim um letreiro que dizia "BOM VINHO"!!!, o que levava os visitantes a perguntarem se a "fonte é de água ou de bom vinho ? . Em 1965, em 11 de Fevereiro, finalmente o Serviço Técnico de Obras, submeteu à aprovação da Camara um projecto de obras a realizar na Fonte do Ídolo, sugerindo-se então que se solicitasse uma comparticipação do Secretariado Nacional da Informação, "dado o interesse turístico do local, e que se envie um exemplar do projecto aquele departamento do Estado." Era este o terminar de um projecto apresentado pelo insigne Professor da Faculdade de Letras do Porto, o Doutor Sérgio da Silva Pinto. Com a sua inesperado morte, ficou-se pelo projecto, arranjou-se um pouco os acessos, foi certamente tirado do local, o aberrante anuncio da taberna, possivelmente deu-se um arranjo aos muretes e a coisa ficou por ali. Ultimamente, a porta férrea foi fechada para evitar que o local fosse aproveitado para valhacouto e entregue a sua guarda, ou pelo menos a chave de entrada, à Junta de Freguesia de São Lázaro, mas a indicação do monumento ainda não mereceu a atenção de quem de direito para evitar que os visitantes andem por ali à deriva, até que alguma alma caridosa os informe. Bastaria colocar uma placa com a indicação: FONTE DO ÌDOLO - Monumento Nacional. Julgamos que chegou agora a hora de prestarem a devida atenção a tão célebre monumento. Parece que o arranjo, não só dos acessos, como a localização e de todo o tanque está a proceder-se ou irá ter lugar a breve trecho. Assim o desejamos. Dezembro de 1997 LUIS COSTA Note-se: era este o estado no monumento em 1997.Depois de um restauro e arranjo, tem a protecção e responsabilidade de conservação, da Câmara Municipal.23-5-2013. TODAS CONTENTES CHEGARAM ; NENHUMA CHEGOU MOÍDA ; E DEPOIS QUE SE APEARAM, ALI MESMO, À DESPEDIDA, OUTRA FUNÇÃO AJUSTARAM. VÊS, MUSA, COMO ATROPELAS A INOCÊNCIA DAS FUNÇÕES ? CONFESSA QUE EM TODAS ELAS O MAL MÃO VEM DAS ACÇÕES, VEM DE QUEM JULGA MAL DELAS. .................. .............. .............. TRATA POIS DE TE EMENDAR, E DEIXA VIDAS ALHEIAS ; QUE O POVO ESTÁ A ZOMBAR. ENQUANTO DE TE INCHAM AS VEIAS COM O FORÇA DE PRÉGAR. TOMÁS DOS PÓS FEZ MISSÕES, AJUDOU GENTE INFINITA ; MAS INDA EM NEGROS VERGÕES TRAZ NOS ARTELHOS ESCRITA A PAGA DOS SEUS SERMÕES. TOMA ENFIM A LIÇÃO MINHA ; MAS, SE ESTÁS NA MESMA FRÁGUA DAQUELA MULHER MESQUINHA QUE, ALÇANDO A MÃO FORA D'ÁGUA, FEZ C'OS DEDOS TESOURINHA. TEME O RAIVOSO FUROR DO EXÉRCITO DOS PERALTAS, QUE EM ARMAS SE VAI JÁ PÔR ; TAMBÉM O DAS POUPAS ALTAS, QUE É INIMIGO PIOR. GUARDAM NO PEITO ÓDIO VELHO POR MOTIVOS SEMELHANTES ; E SE CRÊS NO MEU CONSELHO, MATRA-LHE ANTES OS AMANTES, QUEBRA-LHE O MELHOR ESPELHO ; PROÍBRE-LHE AS CONVULSÕES, ABRE-LHE AO CÃOZINHO AS VEIAS, QUE PARA TUDO HÁ PERDÕES ; MAS NUNCA LHE CHAMES FEIAS, NEM LHE ENTENDAS CO'AS FUNÇÕES. Nicolau Tolentino
Segunda-feira, 19 de Julho de 2010
PARA ONDE VAIS, PORTUGAL ?
A pergunta talvez seja pertinente, mas é uma das dúvidas que se apresentam ao meu espírito. De facto para onde querem alguns conduzir um país, que na cauda da Europa se arrogam de elogiar leis que talvez tenham na forja que o “enriquecimento ilegal” não é crime? Quererão, possivelmente, esconder acções comprometedoras de “pessoas que nada tendo de seu” mas, possivelmente por favores recebidos, querem fazer com que nos esqueçamos de que nos velhos currículos de há pouco tempo desses grandes capitalistas do momento, nada se pode encontrar, nem heranças, nem sorteios do Totoloto ou do Euro-Milhões, e apresentam em meia dúzia de anos, para não dizer em meia dúzia de meses, “sinais de riqueza exterior”, como carros de grande gama, casas na praia ou Estâncias Termais Estrangeiros, passam férias nos Alpes ou nos “saffaris” africanos, hotéis “cinco estrelas”, em Londres, Nova Iorque ou Paris, propriedades e herdades nos Montes Alentejanos ou no Brasil, grossas maquias depositadas em Bancos suíços ?
Será que o seu vencimento mensal dá para tudo isto ou o dinheiro dos seus vencimentos é elástico?
Quanto a mim acho que, assim sendo vale a pena não ser honesto!... pois o enriquecer à custa de terceiros, visto que, desde que esse enriquecimento não é ilícito, logicamente é legal e ninguém o pode acusar de desonesto!...
Pode deixar de pagar as suas contribuições fiscais, ou será que o enriquecimento, prejudicando o Estado, neste caso é considerado crime? Ou será que só os outros enriquecimentos ilícitos como as falências fraudulentas mas muito bem disfarçadas, a falta dos pagamentos a fornecedores e pessoal, as benesses recebidas indevidamente, os subornos, os favores a troco de muita massa, os loteamentos feitos à revelia da lei não são crime?...
É por isso que eu PERGUNTO PARA ONDE VAIS PORTUGAL com leis assim?
Tenho para mim, que toda a vida tenho trabalhado, não poder compreender como é possível que alguns em meia dúzia de anos, partindo do nada, só com o ordenado, honestamente apresentem tais “sinais exteriores de riqueza”? E falta-me saber, não terão mais outros sinais bem escondidos e acautelados de olhares indagadores?
Braga, 24 de Abril de 2007
LUÍS COSTA
Domingo, 11 de Julho de 2010
CITÂNIA DE BRITEIROS
Situada em parte da freguesia de São Salvador de Briteiros, e na de S. Bento de Donim, do concelho de Guimarães, assentam as ruínas deste povoado primitivo, num esporão pertencente ao maciço horográfico que se destaca da Serra Amarela. O seu nome deve ter origem segundo o historiador vimaranense Alberto Sampaio, na antiga Villa de Briteiros, pois teria sido um Fundus Brittarius, designação derivada de Brittus, nome pessoal hispânico, portanto topónimo adquirido aquando da dominação romana.
É conhecido também o lugar das ruínas por Monte de São Romão, por ter ali sido edificada, em tempos uma capela, da qual são visíveis ruínas junto do cruzeiro, documento e que “…constituem por ventura o testemunho da primitiva cristianização do lugar, na decadência do império romano”. (1)
Num documento do ano 1059, extraído do Cartulário “Livro de Mumadona”, é referida esta capela, que no entanto não é actual, viso que esta foi reconstruída em 1853.
Junto ao alicerces visíveis da primitiva ermida, e em torno do cruzeiro, encontram-se algumas pequenas sepulturas que vem atestar a tese da cristianização, logo portanto posteriores às ruínas iniciais.
Julga-se que este povoado deve datar, pelo menos de 5 séculos A.C. e era constituído por um grande povoado primitivo, fortificado, celtibérico, e que sendo romanizado, um oppidum (fortaleza), pertence ao “ tipo geral dos chamados castros do Noroeste da Península Hispânica”.(1)
Há autores que distinguem entre castros e citânias, dando este último nome a cidades amuralhadas, com ruínas de habitações permanentes. Está neste caso as ruínas da povoação que estamos a tratar e não como as do próximo castro de Sabroso que seria, talvez, uma simples posição fortificada, sem vestígios de moradas, possivelmente, como hoje é vulgar dizer-se, “uma guarda avançada” de defesa à Citânia.
Quanto aos seus primitivos habitantes, é tão obscuro determinar-se quem seriam, que nos devemos contentar, de um modo genérico, que talvez pertencessem ao grupo dos callaeci bracari ( galaico-brácaros). Parece que a estes primitivos, pela onomástica e pelas inscrições em que aparecem em alguns toponímicos de pessoas e deuses, alguns linguistas, também os tem apelidado de célticos, opinião que não é de desprezar pois sabemos que das nossas origens ancestrais faz parte o povo céltico que fundindo-se com os iberos, deram origem aos celtibéricos.
No que, porém, geralmente admitido é que os variados povos desta região, provavelmente originários de um mesmo tronco pré-celta (ligures ?) que, no entanto se ignora qual fosse, estavam, politicamente dividos em tribos, normalmente constituídas por agrupamentos familiares, ou clans, cuja índole guerreira fazia com que frequentemente se digladiassem. (1)
A filiação étnica dos Lusitanos ainda hoje, é um problema obscuro. Os Lusitanos aparecem pela primeira vez na história, como mercenários ao serviço dos Cartagineses de Aníbal no século III A.C.
São várias as opiniões sobre o povo que outrora habitou a Citânia mas, aquela que mais se pode admitir, hipoteticamente, com fundamento em esquemas etnológicos parece que descenderia dos Draganos ou dos Oestrímnios, do Noroeste da Península, de raça Ligure, oriunda do Norte de África. (1)
Abstraindo da questão ligúrica, a “pré-celticidade” do Lusitanos, defendida por Martins Sarmento, não podemos negar a cultura céltica que nesses povos deixou bem vincada a sua marca. (1)
O ASPECTO DE CONJUNTO DAS RUÍNAS (1)
O povoado da Citânia tem na direcção N-S cerca de 250 metros de extensão e cerca 150 no sentido E-O. Perto ou junto ao local onde está implantada a Capela de São Romão, há um pequeno espaço quase plano com cerca de 80 metros quadrados, onde estaria a necrópole do velho povoado.
A Citânia é cortada por duas ruas principais: uma que seria possivelmente a entrada principal e que corre a meia encosta, no sentido sul a norte, virando depois para Noroeste, pelo colo que separa os dois outeiros em que situa o povoado; a outra, a poente, cuja direcção segue pela crista do monte, pelo norte a sul, cruza com a primeira. De largura variável, entre 2 a 2,5 metros, tem a via, norte-sul, ao seu lado, caleiras de pedra, para o transporte de água, que nascendo num aglomerado penhascoso, levava a preciosa linfa para uma fonte que na planta se situa com o nº 3. Esta nascente hoje está extinta.
Outras vias secundárias, mais estreitas, por se perderem os vestígios, não é possível estabelecer a ligação com as mútuas, mas desembocam em pracinhas, algumas delas cuidadosamente pavimentadas, que dividem o aglomerado populacional em vários quarteirões.
AS FORTIFICAÇÕES
A Citânia, era fechada, pelo aspecto actual, em três circuitos de muralhas, uma a sul, outra a poente e a terceira a norte, já que a nascente, o terreno íngreme, com um grande declive, era uma defesa natural. Hoje, há autores que dizem que provavelmente existiam mais duas muralhas. Mas o que é certo, é que só agora é possível, localizar três. Quem se dirige à Citânia, partindo do Bom Jesus, quilómetros andados, poucos, depara-se junto à estrada com uma e depois, visíveis, mais as duas. Cálculos, bastantes optimistas, dão como a sua altura máxima 5 metros. Quanto à espessura média, pelos vestígios, devia andar pelos 2 metros. A distância entre as muralhas, regulava entre os 30 metros, em certos pontos entre a exterior e a interior, mas a média podemos situá-la a cerca de 40.
No entanto esta distância era irregular, pois em determinados locais chegava a atingir 100 metros. Para a construção foi utilizado um aparelho de pequenos blocos de granito, apesar de que junto a uma porta do lado poente, os blocos utilizados serem maiores.
Citânia 2
A norte, o lado mais vulnerável da povoação, existia um outro muro, no sentido perpendicular à muralha exterior que contornando um pequeno outeiro, seria, certamente, uma muralha acessória ou “cortina avançada”.(1)
A ARQUITECTURA CIVIL
Ao penetramos na Citânia, depois de ultrapassada a Casa do Guarda ( hoje foi substituída por outra construção ) pelo lado do SE, vamos deparar com “humilde monumento”, a fonte pública, pequeno reservatório em pedra, de forma quadrangular, igual às ainda chamadas “Fontes de Mergulho”. Esta fonte era a abastecedora de água à população e, como já se disse, era vinda pelas caleiras de pedra, pelo arruado principal, desde o penhasco onde se situava a nascente.
As habitações circulares, como alguns autores defendem, parece ter a sua origem na cultura da Idade do Ferro, célticas. No entanto há outros que admitem ser mais antiga, uma tradição indígena, anterior à chegada dos Celtas à Península.
De um modo geral as casas da Citânia ( para mais de 200 ), como em quase todos os povoados castrejos, umas são de planta circular, outras rectangulares, com cantos interiores arredondados ou não, algumas elípticas, com aparelho de alvenaria grosso ou ainda com aparelho helicoidal.
Quanto a esta última construção de grandes pedras, fixadas no terreno, em sistema helicoidal, julga-se ter sido um avanço no sistema de segurança, dado que a colocação de pedras fixas e em hélice cilíndrica ofereciam maior resistência às enxurradas. A argamassa de ligação entre elas, era constituída por barro ou terra. O pavimento interior, poucas vezes revestido de pedra, apresentava quase sempre uma camada de saibro recalcado e endurecido pelo uso.
Ao centro um quadrado de pedra, com um entalhe, servia para fixar o prumo que iria sustentar a cobertura, talvez de colmo. Normalmente a casa era circundada por um empedrado, com alguma inclinação para o exterior, evitando deste modo a infiltração de águas das chuvas. Algumas apresentam pequenos anexos, recintos vedados que se supõe seriam lugares de pequenos estábulos, pois apresentam sinais de prisões de gado.
Mais tarde e já em plena romanização é possível que a cobertura destas pequenas casas, que hoje mais poderiam ser apelidadas de cabanas, utilizariam a tégula, como se denominava a telha romana, pois são abundantes os restos de tégula e imbrex espalhados por todo o espaço do povoado.
Algumas ruínas de casas circulares apresentam um traçado diferente, isto é aumentado por um vestíbulo que se vê na entrada, onde existiria uma porta de acesso a êste aumento, seguida de uma outra na parte circular. Em algumas nota-se uma laje, que pelo seu aspecto de queimada, deve ter sido utilizada para a lareira, e até em algumas construções postas a descoberto depois das escavações efectuadas por Martins Sarmento, revelaram o lugar destinado à lareira, constituído por alguns tijolos colocado no centro do pavimento circular.
De notar que em algumas construções, em pequenos anexos vedados, que possivelmente serviriam de estábulos, se vêem embutidos nos muros, toscas prisões de pedra onde seriam presos os animais. Quanto à altura das paredes, Martins Sarmento, não chegou a uma conclusão, pois os restos das ruínas apresentam raramente mais que um metro. Seria que o resto do alçado seria composto inteiramente de pedra, ou seria que teriam um envasamento de pedra, resistente às enxurradas, e depois para cima completados por um intricado acabamento de adobe de traves de madeira, barro, giestas e ramos encanastrados, onde surgiria a porta e uma janela de iluminação interior ? Esta é, ainda hoje, um género de construção usado por gerações de primitivos.
Martins Sarmento confessa que ao idealizar e reconstruir as duas casas que no mapa estão assinaladas pelo nº 12, errou, dizendo em abono :
“No que eu errei, com certeza, foi em dar às casas circulares reconstruídas uma altura igual ao seu diâmetro. Sem dúvida alguma eram mais baixas.”
Sabe-se que tinham uma pequena soleira à entrada, pelo que concluímos, sem dúvida, que o pavimento interior, era mais elevado do que o arruado.
Também resta uma dúvida e diz respeito cobertura dessas “humildes cabanas”. Seria de colmo, como foi a primeira impressão, ou usariam uma outra técnica, aplicando a argila sobre tectos planos, em terraços, assente em ramos entrelaçados ? (1) Do que não há dúvida, pelos restos de tégula e imbrex, profusamente espalhados, é que, após a romanização passaram muitas habitações, principalmente as rectangulares a utilizar este tipo de cobertura. Há também quem sugira, dado que, em algumas construções, a colocação das pedras base, estão inclinadas para o centro que a cobertura seria em forma cónica, ou fecho de falsa cúpula. (1)
A sul da Capela de São Romão, e junto à muralha interior, assinalada na planta com o nº14, notam-se as ruínas de uma grande construção circular, com assentos em toda a roda, que seria de utilização colectiva, talvez para a reunião dos anciãos que ali tomariam, tal como num Senado, as decisões importantes para o governo da povoação e seu território.
MONUMENTOS DE CARACTER RELIGIOSO
Unida à criação artística, anda sempre reunida uma manifestação cultural. Temos, por exemplo, no Vale do Reis, no Egipto, as colossais estátuas dos antigos soberanos, os faróos, que aliando aos seus túmulos funerários, mandaram construir verdadeiras obras artísticas. Na Citânia, podemos ver duas ordens de monumentos, aos quais os seus habitantes ligavam certamente ideias religiosas. A gravuras rupestres e as esculturas e nestas distinguem-se os monumentos esculturados de carácter ornamental simbólico e os monumentos antropomorfos. Nos simbólicos temos como principal a Pedra Formosa, monumento que tem sido sujeito a várias interpretações. Uns julgavam-na uma pedra de ara ou sacra mensa ( objecto sagrado, mesa sobre a qual se faziam sacrifício rituais ), outros como a parte anterior ou fachada de um monumento funerário, um crematório (os povos primitivos, geralmente cremavam os cadáveres) e ainda estelas funerárias. A descoberta de outros monólitos idênticos, na sua apresentação à Pedra Formosa, (há pouco apareceu em Braga, nas escavações para a Estação do Caminho de Ferro um desses exemplares que está em exposição na cave, num feliz salvamento e reconstrução do monumento) parece tratar-se de facto da frontaria de um monumento funerário, um crematório. No entanto há outras opiniões o que nos leva a crer que se trata de uma inexgotável série de hipóteses, sem solução à vista. Na planta está assinalado com o número 17, o acesso ao monumento funerário. “Está situado na parte sul junto à estrada e à margem de uma das primitivas calçadas, no espaço compreendido entre a muralha média e a exterior.”(1) Um grande monólito, situado no terreno ao lado direito do arruamento principal, tem duas pequenas cavidades, que serviriam, segundo alguns historiadores, para colocar as cinzas dos cremados. A ser assim, poderemos também o classificar como um monumento funerário.
Outras pedras de carácter simbólico, esculturadas, que se encontraram nas escavações, vêem-se a cruz suástica (símbolo muito antigo usado também pelos Cantabros e pelos Romanos), gravada ou vazada, sempre de braços curvos ou espiralados, triscelos e tetrásculos, muitas vezes aliados a outros símbolos. Esta última categoria, pode destacar-se a representação de um triscelo junto a um sinal cruciforme, linhas da chamada cruz românica, de braços curvos. Estampa XX, nº 3, (1).
Quanto a representação de figuras humanas, trabalhadas em pedra, só apareceram dois monumentos, mas muito toscos, e sobre gravuras rupestres limitam-se as representações na Citânia, a covinhas, espirais e círculos concêntricos.
I N S C R I Ç Õ E S
Em 1971, dizia o estudioso Mário Cardoso, que “provenientes de Briteiros, são conhecidas actualmente 18 inscrições… Todas as inscrições apresentam um aspecto acentuadamente arcaico…absolutamente lacónicas, fugindo por completo, na sua rude simplicidade, às fórmulas consagradas na epigrafia, latina, funerária, laudatória ou votiva”.
Assim o inculto gravador indígena ( continua Mário Cardoso), aprendendo com o invasor romano a desenhar os sinais das escrita, nunca conseguiu ocultar a imperícia do seu analfabetismo, dando origem aos limites da sua mentalidade bárbara. Algumas inscrições, constituem uma prova de que a romanização deste povoado ainda perdurou bastante tempo. Certas inscrições apresentam nomes pertencentes à antroponímia ibérica, como Câmalus, Aureius, Lárius, Canicus, etc. Outras, pelo menos duas, apresentam sinais, sem forma, desconhecidos.
ACHADOS DIVERSOS
Nas escavações foram encontrados achados de diversos materiais, como instrumentos de pedra, ferro, bronze e vidro. Moedas também foram encontradas. Numerosas são as mós manuais que serviriam para triturar a bolota torrada, de que se fabricava pão. Pesos de redes da pesca fluvial, de teares, fusáiolas, cossoiros, lucernas, pedras polidas, alguns machados de pedra lascada e também polidos, este conservados como amuletos, pois desde a antiguidade que eram considerados como pedras de raio e como tal objectos talismânicos. Seixos rolados, provavelmente para serem utilizados como projecteis de fundas.
A C E R Â M I C A
Vários fragmentos de cerâmica revelaram as escavações. Entre eles destacam--se os das vasilhas que apresentam variadíssimas formas e pastas, umas mais finas e outras mais grosseiras. Umas de elegantes perfis, como as ânforas, e outras fortes e de barro grosseiro, impregnado de grânulos de areia, mica ( considerada cerâmica castreja ), e até alguns de cerâmica delicada, de paredes muito finas, talvez importada, e não de artesania local. Alguma desta apresenta desenhos ornamentais, confirmando a suspeição da importação : “mostrando alguns exemplares, pelo seu brilhante e uniforme verniz coralino, o fabrico extra-peninsular, de importação gaulesa ou itálica” ( Est. XXIV) –l. Também tem aparecido fragmentos de “ louça de barro esbranquiçado e quebradiço, com pintura vermelho-escura… talvez influenciada, ou proveniente mesmo, algumas estações ibéricas…”(1)
OS METAIS, UTENSÍLIOS DIVERSOS
Entre os metais encontrados nas escavações contam-se utensílios de ferro, chumbo, estanho, cobre, a liga de bronze, a prata e até ouro. Grande parte delas destinavam-se a adornos pessoais, como as fíbulas ( fivelas ), contas de colar, delicado trabalho de filigrana em ouro, torques (colares), alfinetes de toucado, brincos, etc.
Destacam-se ainda os objectos de uso doméstico, como uma machadinha de bronze, espetos de ferro, estes bastantes oxidados pelo que não é fácil determinar o seu uso, colheres, botões, uma charneira de um compasso, facas. Um pequeno punhal, etc.
De utensílios de vidro, foram encontrados muitos fragmentos de várias cores, “tendo sido possível reconstituir, quase completa, uma formosa taça de um tom verde-claro, com nervuras exteriores, de um modelo frequente noutros meios lusitano-romanos.”(1)
Por uma moeda de bronze encontrada e relativa ao período do Imperador Constantino Magno, pode talvez dizer-se que a Citânia de Briteiros, foi habitada pelo menos até ao século IV da nossa era.
Parte do material recolhido nas sucessivas escavações, está à guarda do Museu Martins Sarmento, em Guimarães e na casa museu, em Briteiros.
Braga, 15 de Julho de 2007
Luís Costa